Conto - Apostando Tudo

         



      O dia era primeiro de agosto. A primeira aula era de Linguística e Literatura e eu já estava meia hora atrasada. Chegando à faculdade, resolvi ir até a cantina tomar um café enquanto esperava para entrar na segunda aula. Eis que me deparo com a mulher mais linda da minha vida, sentada à mesa perto da parede. Ela lia um livro, as pernas cruzadas, tomando um café. Comprei um cappuccino e sentei-me a certa distância, apenas observando aquela moça tão elegante. De vez em quando, uma de suas mechas loiras caía sobre os olhos e ela logo a colocava em seu devido lugar. Quem era ela? O que estava fazendo ali? Por que eu nunca a havia visto? Aquelas perguntas rondavam minha cabeça durante um tempo.

            Eu estava tão interessada em decorar todos os detalhes que eu pudesse captar daquela mulher que nem percebi seus olhos cinza encarando os meus. Quando a ficha finalmente caiu, engasguei com o gole da bebida que eu havia acabado de tomar! Jesus! E agora? Pensa rápido, pensa rápido! Olhei para baixo, enxugando a boca com as costas da mão. Será que ela percebeu? Após alguns segundos, quando finalmente consegui reunir coragem para levantar a cabeça, vi que um sorriso dançava nos lábios dela. Droga, ela tinha percebido. De repente, ela se levantou. Pegou sua bolsa, jogou o papel no lixo e veio vindo em minha direção. Meu Deus do céu!

Hey moça...


Hey, moça, vem tomar um café comigo. Senta aqui, me dá a mão, vamos conversar. Faz tempo que te observo de longe, assim, como quem não quer nada. Seu largo sorriso é morada certa em teus lábios, mas há dias em que o cansaço é tanto que você quase se esquece de sorrir. Seus olhos estão tristes e as preocupações habitam todos os cantos da sua mente, tirando o seu sono. Calma, moça, vai dar tudo certo, sabe? Afinal, você é uma sobrevivente, uma lutadora. Quando ouvi tua história, meu coração se apertou no peito, minha vontade era de te segurar no colo, abraçar forte e secar tuas lágrimas. Vou ser sincera e espero que não seja inapropriado o que irei dizer. Ainda que alguns bons anos atrasada, quero lhe dizer que você é uma mulher extraordinária. Moça, você é linda! De encher os olhos de quem lhe vê, e de encher o peito de quem lhe conhece. Você floresce por dentro, espalhando imensa alegria a todos ao seu redor. Sua energia contagia o ambiente. Você merece ser bem tratada, bem cuidada, bem respeitada. Você merece um cara que te veja como a mulher forte, independente, maravilhosa, engraçada e incrível que você é, e que perceba que todas essas suas qualidades são o que te fazem única. Quando fala em francês, seus olhos brilham, seu coração palpita no peito e seu rosto se ilumina. Espero que cuidem bem desse coraçãozinho, você merece.

Um momento de estranhamento


N/A: texto produzido para o Ninho Online sobre um momento de estranhamento vivido pelo personagem.

         Eles disseram que vou me sentir melhor. Eles disseram que tudo ia ficar bem. Mas não consigo tirar esse peso da garganta, não consigo tirar essa sensação de borboletas rasgando meu estômago. Dois meses atrás, quando cheguei em casa, minha mãe estava mexendo no meu quarto. Jogava meus CDs fora, tirava os pôsteres de banda das paredes, olhava minhas anotações nos cadernos. Quando me viu, não falou nada. Na semana seguinte ela me comprou um vestido. Deixou em cima da minha cama. Sorri amarelo, agradeci, mas disse que eu não queria, não gosto de vestidos. Ela insistiu, eu tentei usar. Olhei-me no espelho com aquela peça rosa florida caindo desengonçadamente no meu corpo magricela. Não gostei, não me senti bem.

Resenha - O Pacto


Corredores de um hospital em São Paulo. Sala do almoxarifado. Luzes piscando. Breu total. 
Você sente alguém tocando seu ombro. 
Detalhe: você está sozinha na sala. 

       É nesse clima de suspense que se passa a história da obra "O Pacto", o segundo livro da escritora Lis Selwyn, da Metanoia Editora. O livro foi lançado no dia 16 de Setembro, em Jundiaí, no Centro Cultural Barravento a convite do grupo CUME - Espaço artístico para atividades culturais e reflexões sobre questões de gênero e sexualidade. Infelizmente não pude comparecer ao evento, mas confesso que fiquei curiosa com a capa vermelho sangue do livro. Uma semana depois, quando finalmente consegui colocar minhas mãos no Vermelhinho, após tomar um delicioso açaí com a autora, fiquei morrendo de vontade de ler. Assim que comecei, não consegui mais parar! Juro! Li o livro em dois dias! Eu simplesmente precisava saber o que ia acontecer.

Um momento perfeito de escrita


Um Momento Perfeito de Escrita

N/A: Esse texto foi criado para um exercício do "Ninho de Escritores Online" sobre um momento perfeito de escrita.

Após tantos anos, ali estava eu, ali estávamos nós. Duas estranhas que um dia foram mais do que amigas. Seus olhos me prenderam uma vez mais e seu sorriso, surpreendentemente, apareceu ao me reconhecer. Eu queria falar, mas da minha boca nada saía. Eu estava branca, tremendo, com o coração acelerado, estômago embrulhado. Sua mão tocou em meu braço, senti-o queimar. Segurei em sua mão, por milésimos de segundo, até que ela me soltasse e se afastasse. Suspirou… Sorriu… Olhou-me… E partiu. Não sei explicar como me senti, um misto de dor e emoção, um pouco de felicidade, mas cheia de dúvidas.
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