Um momento de estranhamento


N/A: texto produzido para o Ninho Online sobre um momento de estranhamento vivido pelo personagem.

         Eles disseram que vou me sentir melhor. Eles disseram que tudo ia ficar bem. Mas não consigo tirar esse peso da garganta, não consigo tirar essa sensação de borboletas rasgando meu estômago. Dois meses atrás, quando cheguei em casa, minha mãe estava mexendo no meu quarto. Jogava meus CDs fora, tirava os pôsteres de banda das paredes, olhava minhas anotações nos cadernos. Quando me viu, não falou nada. Na semana seguinte ela me comprou um vestido. Deixou em cima da minha cama. Sorri amarelo, agradeci, mas disse que eu não queria, não gosto de vestidos. Ela insistiu, eu tentei usar. Olhei-me no espelho com aquela peça rosa florida caindo desengonçadamente no meu corpo magricela. Não gostei, não me senti bem.

Resenha - O Pacto


Corredores de um hospital em São Paulo. Sala do almoxarifado. Luzes piscando. Breu total. 
Você sente alguém tocando seu ombro. 
Detalhe: você está sozinha na sala. 

       É nesse clima de suspense que se passa a história da obra "O Pacto", o segundo livro da escritora Lis Selwyn, da Metanoia Editora. O livro foi lançado no dia 16 de Setembro, em Jundiaí, no Centro Cultural Barravento a convite do grupo CUME - Espaço artístico para atividades culturais e reflexões sobre questões de gênero e sexualidade. Infelizmente não pude comparecer ao evento, mas confesso que fiquei curiosa com a capa vermelho sangue do livro. Uma semana depois, quando finalmente consegui colocar minhas mãos no Vermelhinho, após tomar um delicioso açaí com a autora, fiquei morrendo de vontade de ler. Assim que comecei, não consegui mais parar! Juro! Li o livro em dois dias! Eu simplesmente precisava saber o que ia acontecer.

Um momento perfeito de escrita


Um Momento Perfeito de Escrita

N/A: Esse texto foi criado para um exercício do "Ninho de Escritores Online" sobre um momento perfeito de escrita.

Após tantos anos, ali estava eu, ali estávamos nós. Duas estranhas que um dia foram mais do que amigas. Seus olhos me prenderam uma vez mais e seu sorriso, surpreendentemente, apareceu ao me reconhecer. Eu queria falar, mas da minha boca nada saía. Eu estava branca, tremendo, com o coração acelerado, estômago embrulhado. Sua mão tocou em meu braço, senti-o queimar. Segurei em sua mão, por milésimos de segundo, até que ela me soltasse e se afastasse. Suspirou… Sorriu… Olhou-me… E partiu. Não sei explicar como me senti, um misto de dor e emoção, um pouco de felicidade, mas cheia de dúvidas.

Ser amada é doce


Ser amada é doce como eu jamais achei que poderia ser. Eu sempre me foquei em amar as pessoas, em me doar ao máximo, mesmo sabendo que eu nunca seria amada da mesma forma. Então eu experimentei a doçura de toques suaves, apelidos carinhosos e abraços quentinhos em noites frias. Acostumei-me a acordar com seus beijos e seu rosto macio, a ir dormir enroscada em seu corpo, de mãos dadas. E tal criança pequenina falo contigo em uma linguagem fofinha que os amantes usam.

Ser amada é doce como um sopro de vida. Saber que mesmo com todas as lágrimas e as vozes que sussurram em meu ouvido eu tenho uma alegria que me abraça todas as amanhãs. Sentir-se amada é um calorzinho gostoso de fim de tarde, contrastando com aquele arrepio gostoso da brisa das manhãs. Sinto-me mais viva, com vontade de viver e desbravar novos lugares, viver novas situações.
Eu queria lhe arrancar do meu peito.
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