Love Game: 17 - Reencontro


 Capítulo 17 – Reencontro

            Entrou no carro que estava parado em frente ao fórum, girou a chave e saiu correndo pela rua. Sabia que tinha que ser rápida, pois naquele momento o capitão estava colocando todos os policiais atrás de Sally. Não sabia o que faria, só sabia que tinha que encontrá-la primeiro. Parou o carro em frente à sua casa e desceu, rapidamente abriu a porta. Correu até o seu quarto, pegou a arma que estava dentro da gaveta e o distintivo, colocando-o pendurado no pescoço.

 - Aonde você pensa que vai? – perguntou Jaqueline, encostada no batente da porta do quarto.

            Lola virou-se para ela, pegou suas chaves e algemas, dizendo:

- Vou atrás dela e você não vai me impedir. – olhou-a nos olhos, desafiando-a.

- E quem disse que eu quero te impedir? Vem, vamos embora. – sorriu Jaque.

- Quem diria... – riu Lola, tomando a frente, saindo de casa com a parceira em seu encalço.

- Se não pode com eles, junte-se a eles. – finalizou a outra, sentando-se no banco do carona.
            Por um momento, as duas ficaram paradas, pensando cada uma consigo mesma. Olharam-se de repente, e começaram a rir. Lola foi a primeira a falar:

- Não faço idéia de onde ela está... – a risada transformou-se em choro.

- Calma, não se apavore! Pense, com calma. O que aconteceu ontem a noite? – Jaque tentava ajudar à amiga, retrocedendo os fatos.

- A gente transou, dormimos juntas, e hoje de manhã quando acordei, ela tinha ido embora. – disse com voz triste.

- Hum. – a outra pensou por um momento, depois como se tivesse tido finalmente uma idéia, disse:

- Ela já mencionou algum lugar que foi ou gostaria de ir? Algum lugar especial?

            Lola pensou, tentando se lembrar de alguma coisa que Sally pudesse ter falado, quando sorriu de repente. Girou a chave na ignição e arrancou com o carro, enquanto Jaque continuava perguntando sobre o que ela havia se lembrado.

“Atrás da escola em que Sally dava aulas, havia um lugar escondido e desconhecido, perto de algumas árvores, onde o sol batia em uma fonte. Depois de descobrir aquele lugar, Sally ia sempre ali para se acalmar, desanuviar a cabeça, ficar tranqüila.

Certa manhã, quando não estava dando aula, tirou Paola da sala de aula e disse que queria fazer-lhe uma surpresa. Levou-a nesse lugar, dizendo que era especial para ela e queria compartilhá-lo. Sentou-se na grama, encostada no muro da escola, enquanto Paola acomodou-se sobre suas pernas. Ficaram ali conversando e brincando.

Um vento passou, fazendo com que os cabelos da loira bagunçassem. Ela sorriu, suspirou e começou a falar:

- Sabe, minha morena, tenho pensado... Acho que daqui a alguns anos, quando parar de lecionar, viajarei pelo mundo. É meu sonho desde menina, poder conhecer os outros países, suas belezas e tudo o que eles têm para oferecer.

- Jura? – Lola sorriu. – Se um dia você for, vai me levar junto?

- Claro! Eu te amo, te levarei comigo para onde eu for. – sorriu dando um beijo apaixonado na morena.”

            Quando acabou de contar para Jaqueline, já estavam na metade do caminho. A morena logo a encheu de perguntas:

- Então você está indo para o aeroporto? É lá que ela está, não é?

- Não. – respondeu Lola, virando à direita. – Ela sabe que está infringindo a lei e que avisarão em todos os aeroportos para não deixá-la passar. Não é idiota.

- Mas então, não entendi. Agora você me deixou confusa! Como sabe onde ela está? Na escola?

- Não, seria outro lugar que iriam procurar primeiro, muito óbvio. Nesse mesmo dia em que me falou sobre essa viagem, disse que tinha uma casa quase no fim da cidade, onde passava os dias quando queria ficar sozinha. Seu refúgio, abrigo. – andou mais algumas ruas e virou à esquerda.

- Faz sentido. Ela deve estar esperando lá até que possa sair do país.

- Exatamente.

- E o que fará quando chegar lá? – perguntou sua parceira. Lola ficou calada por um tempo, até por fim, responder:

- Não sei. Sinceramente.

            Dirigiu em silêncio pelo resto do caminho. Andou por vários quilômetros, até quase nos limites da cidade. Parou em frente à uma rua estreita, com casas pequenas e antigas. Desceram do carro e Lola, indo à frente, começou a olhar as casas atentamente, tentando achar uma em particular.

- Sally me trouxe aqui uma única vez. Disse que eu fui a única a entrar nesta casa, além dela própria.
           
            Jaqueline andava quieta atrás dela. Pararam em frente a uma casa branca, com as paredes descascando. Lola forçou o portão, que se abriu com facilidade. Entrou, indo até a porta de vidro da casa. Girou a maçaneta e descobriu que a porta estava aberta. Lá dentro estava escuro, quando seus olhos se acostumaram, a primeira coisa que viu foram os olhos azuis e assustados, olhando diretamente para ela.

            E agora? Sally seria agressiva ou dócil, amigável? Ela nunca sabia, a outra era imprevisível. E tampouco sabia o que ela própria deveria fazer. Andou vagarosamente até onde a loira estava, no sofá, enquanto Jaqueline permanecia parada junto à porta.

- Como me achou? – a voz da loira era bem fraca e baixa.

- Você me trouxe uma vez aqui, lembra? – sorriu.

            Lola sentou-se ao lado dela no sofá.

- Porque você fugiu? Saiu hoje de manhã... Eu sei que você pretende ir embora.

- Fugi porque tenho que fugir. – disse seca. Incrível como ela mudava de humor a cada instante.

- Você sabe que Jack conseguiria te soltar, te livrar dessa. Era certeza! Para que fugir? Só complicou sua situação. – Lola tentava ser amável, e assustou-se com a reação de Sally.

- Você não entende! – a loira gritou, levantando-se de repente.

- O que eu não entendo? – a morena levantou-se também.

- Isso era para ser divertido! – gritou Sally novamente. – Quando que virou esse inferno? Era para ser só um jogo! Eu não estava abusando de ninguém, nunca o fiz. Não sou santa, eu admito, mas também não sou criminosa! Eu só queria me divertir... Porque tive que me apaixonar por você? Esse estúpido e idiota do amor, que só serve para atrapalhar nossas vidas.

            Um barulho vindo da porta interrompeu a fala de Sally. Ela e a morena olharam para porta. Era o barulho do rádio comunicador de Jaqueline. Olhou para o rádio, a voz do capitão vinha do aparelho:

- Detetive Jaqueline? Onde você está? Conseguimos te localizar pelo rádio, mas não podemos achar o local exato. Responda, Jaqueline. 

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